Neuromancer é um dos pioneiros senão o primeiro livro de ficção científica com o subgênero cyberpunk, então para quem ainda não é batizado neste tipo de leitura poderá ter dificuldade para seadaptar, isso para não dizer que não terá uma boa experiência.
Neuromancer foi escrito em 1983 e fala sobre um futuro distópico de alta tecnologia onde a interação do homem com a maquina esta em um nível completamente diferente, o homem pode fazer modificações tanto com material cibernético ou mesmo com implante de órgãos criados em laboratórios.
O protagonista Case era um cowboy, uma espécie de hacker que trabalhava no ciberespaço. O ciberespaço é acessado através de decks, algo parecido com a conexão utilizada no filme Matrix, aliais foi em Neoromancer que este conceito foi criado.
Os equipamentos utilizados para se conectar no ciberespaço são chamados de decks, é algo que poderia ser comparado com um console. Em um dos trabalhos Case tenta tirar vantagem dos seus empregadores, como retaliação ele é infectado com uma toxina que corrompe seu sistema nervoso e o torna incapaz de conectar-se ao ciberespaço. Case passa a viver uma vida medíocre de sexo e drogas, fica endividado e correndo risco de ser morto por seus credores até que ele recebe uma oferta, uma cirurgia que permitiria que ele fosse capaz de entrar no ciberespaço novamente em troca ele teria que fazer um serviço como cowboy.
A missão de Case não era algo simples, os detalhes e a
motivação da missão são reveladas lentamente, vale ressaltar que os leitores
desatentos serão punidos e não entenderão a motivação dos personagens e o
objetivo da missão que é o pano de fundo para assuntos mais complexos.
“O céu tinha aquele tom de cinza sinistro. O ar havia ficado pior; parecia ter dentes essa noite, e metade da multidão usava máscaras com filtro.”
Um mundo caótico onde o mercado negro de órgãos humanos não
existem, os órgão podem ser cultivados e transplantado em quem puder pagar para
tal. Mas para que usar órgãos quando é possível fazer uma upgrade no corpo com
a biotecnologia?
“Smith (…) foi a primeira pessoa que o Finlandês conheceu que ‘havia virado silício’.”
Existem duas formas de avaliar a leitura de Neuromancer, a
primeira é considerar que o livro foi escrito ainda nos tempos da ARPANET,
quando o que viria a se tornar a internet só era utilizada em universidades e
centros de pesquisas relacionadas ao sistema de defesas do EUA. Pra mim neste
caso o mérito é todo do autor, porem quando lemos um livro em minha opinião o
mais importante é a experiência da leitura.
Em se tratando de experiência de leitura devo admitir que
Neuromancer não é fácil de ler, levei o dobro de tempo que levaria para ler um
livro deste tamanho. Vejo muitas pessoas criticando o livro e até mesmo dizendo
que quem o defende apenas faz isso para se destacar como cult e que é
impossível ter uma boa experiência de leitura.
Neuromancer é um mundo surreal, mas não foi pensado como
fantasia e sim como um futuro possível em um curto espaço de tempo, além disso
é um social (science) fiction e certamente se não conseguirmos entender este
apelo da trama estaremos perdendo a essência da obra. Porem realmente pode ser
um desafio fazer reflexões enquanto tenta entende e se acostumar com termos
como ICE , Simstim, Flatline etc. Como compreender os personagens inserido
vagarosamente na trama. Wintermute, Neuromancer, Riviera, Ashpool, Lady 3Jane quem é vilão e quem é
o mocinho, qual a motivação de cada um?
É fácil não gostar deste livro justamente porque é difícil compreende-lo
ao mesmo tempo em que tenta entender o mundo em Neuromancer, talvez a leitura
previa de Burning Chrome torne a compreensão de Neuromancer uma tarefa menos árdua.
Este é um livro certamente estará em meu top 10.